Nona Romilda completa 100 anos

Nova Bréscia terá uma cidadã centenária a partir do dia 24 de fevereiro. Neste dia, Romilda Ursula Postal Vian completa cem anos de vida. A data será comemorada com uma missa de Ação de Graças, que vai reunir a família e amigos.

O JNB entrou em contato com a família da nona Romilda para publicar a história desta mulher admirável. A neta Vanessa, professora de História, encarregou-se da entrevista, realizada no dia 14 e fevereiro, na casa da família, onde mora nona Romilda.

Confira abaixo o relato escrito pela neta sobre a nona.

“O ano é 1917: No mundo, ocorria a primeira Guerra Mundial e na União Soviética iniciava a Revolução Russa liderada por Lênin. No Brasil, era época da República Velha e o presidente era Venceslau Brás. Aqui, no interior do atual município de Nova Bréscia (na época um distrito de Arroio do Meio), nascia Romilda Ursula Postal, em 24 de fevereiro de 1917.

 Romilda é filha de Páride Postal (nascido em Bento Gonçalves) e Luiza Boni (nascida na Itália).  Ao todo o casal teve 5 filhos: Angelina, Primo, Romilda, Angelin e Maria.

A nona Romilda, como hoje é conhecida, teve infância difícil: perdeu o pai aos três anos. Quem ajudou sua mãe Luiza a criar os filhos foi seu avô Guilherme Postal, de quem guarda lembranças afetivas.

Cresceu junto da comunidade de Linha Pinheiros, onde estudou até o 5º ano. A professora era Teresinha Nicolini e suas amigas e colegas de aula mais próximas eram, Ester Antoniazzi, Irma e Olga Bertol. A atividade mais comum na juventude era ajudar os pais, além de ir todos os domingos no terço, local que também encontrava as amigas. Às vezes, em datas mais especiais, as amigas se reuniam para frequentar a missa na Igreja Matriz (embora não fosse a atual igreja).

Em  1943casou-se com Luis Antônio Vian e a partir desta data passaram a morar na Comunidade de Coqueiro Alto.  Interessante destacar que na época do matrimônio já ocorria a segunda Guerra Mundial e o nome do Distrito era Tiradentes, como confirma a certidão do casamento.  “Se falava muito da guerra e os homens, quase todos tinham que servir o exército.”

Junto de Luiz Antônio teve 7 filhos: Erni, Maria, Diva, Nair, Ivo, Reni e Lourdes. A dificuldade em começar a vida em família exigiu muito esforço e trabalho da nona Romilda, pois a escassez de quaisquer tipos de implementos agrícolas exigia um trabalho duro e repetitivo na roça. É importante destacar um costume antigo dos agricultores da época: deixar as terras próximas da casa para pastagem ou potreiros e desbravar terras mais distantes, arrecadando as rochas para fazer as taipas e lavrando a terra com o arado por várias vezes, até que se tornassem cultiváveis.

Quanto ao cultivo, plantavam milho, arroz, feijão, soja, batatas, trigo, cevada, entre outros produtos. Uma parte do que plantavam era vendido no armazém do senhor Maximino Salami, “um comerciante forte” da comunidade. Além disso iam ao moinho moer grãos de trigo e milho, geralmente com o uso do meio de transporte da época: o cavalo.

Neste meio tempo, as crianças cresciam. Quando muito pequenas, eram cuidadas pela avó paterna, Dona Maria Vian, que morava próxima e atendia as crianças enquanto a nona Romilda ia na roça ajudar o nono nos trabalhos. Depois que cresciam um pouco, iam para a roça junto, ajudar nos trabalhos. As roças cultiváveis ficavam distantes da casa, onde hoje é Arroio Bonito, então saiam de manhã cedo para o trabalho e quando a nona deduzia ser em torno das 10 horas da manhã, mandava um filho ir de cavalo levar o almoço para os que lá já estavam. Nesta época geralmente era o Ivo que voltava antes da escola para fazer esta tarefa, porém, podia ser qualquer filho mais pequeno, desde que tivesse o domínio do transporte, uma vez que os mais velhos tinham mais força para ajudar.

Em 1961,uma grande tristeza abalou a vida da nona: seu filho mais velho, Erni, foi internado no hospital de Nova Bréscia com apendicites e veio a óbito, aos 18 anos.  A perda nunca foi esquecida e sua foto está ao lado da cabeceira da nona. Até pouco tempo atrás, quando ela tinha total domínio e força para movimentar-se, todas as manhãs ao levantar-se, ia à frente da foto, acendia uma vela, ajoelhava-se e rezava. Hoje, com suas delimitações, deixa de fazer a parte de acender a vela sozinha e ajoelhar-se, mantendo o restante do ritual.

Em 1963, a família se muda para uma casa nova, perto da primeira moradia. Dez anos depois, a casa recebe uma inovação da tecnologia da época: a luz. Junto desta, começam a surgir as comodidades, sendo a primeira delas a aquisição da geladeira da marca Admiral.

Passaram os anos e os filhos começaram a se dispersar em busca de novas oportunidades, trabalho e futuro diferente. Para habitar a casa e cuidar dos trabalhos, sobraram Romilda (já viúva), Ivo e Lourdes, a filha mais nova e ainda menor de idade.

Depois que Ivo se casou com Lourdes (Emer), a “Lurdinha” foi trabalhar em Lajeado. A nova família era Romilda, Ivo e Lourdes. Mas não demorou muito para chegar a Vanessa, o Ismael Paulo e a Silvia Luisa (essa demorou mais).

A nona Romilda foi essencial na criação dos netos. Sempre atenta cuidava de tudo para eles enquanto a Lourdes ia lecionar. É suspeito citar, mas ela sempre deu uma atenção especial ao Ismael (seu Pópo preferido), a quem pedia inúmeras vezes se queria tomar café com pão e nata. Sempre foi uma vovó muito querida e carinhosa para todos os outros também: Kelli, Jaqueline, Cinara, João Paulo, Tiago, Rodrigo, Janaine, Cristian, Maiara, Taimara e Anaiara. Todos devem guardar boas lembranças dos tempos da infância, especialmente das férias, que visitavam (e ainda visitam) a nona.

Em 1997a nona mudou-se para Nova Bréscia, junto da família do Ivo. A vinda da família para a cidade deu oportunidade para a nona poder participar em todos os finais de semana da missa. Fez muitas amizades e sempre recebeu muitas visitas dos amigos que conquistou durante a vida. A chegada dos bisnetos também foi motivo de muita alegria na vida da nona: Mateus, Laura, Guilherme, Ravi, Giovana e Ana Maria. 

A nona sempre foi uma pessoa saudável, dinâmica e independente. Suas visitas ao médico foram contadas até bem pouco tempo. Sua primeira ida ao oculista foi aos 92 anos, cirurgia de cataratas aos 95 e agora, aos 99 anos e 11 meses, sua primeira grande cirurgia de fêmur com colocação de platina devido uma queda em casa, cuja recuperação foi um sucesso.

Por sua história de vida, de amor, de garra e superação é que hoje toda a família agradece a Deus por esta dádiva de vida e exemplo. Agradecemos a todas as amizades conquistadas, a todas as visitas, todas as ligações e carinho para nona e que Deus lance muitas benção a todos que fazem de alguma forma parte desta história.

Convidamos a todos para a Missa de Ação de Graças que será realizada no dia 24 de fevereiro, dia de seu aniversário, às 18 h, na Igreja Matriz.

 

 

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