Importância do exame de pesquisa de Streptococcus agalactiae como parte da etapa final do pré-natal.

Fabiane Mueller Lemos, 
CRF/RS 16862
*Farmacêutica e pós graduanda no curso de Especialização em Análises Clínicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 
*Farmacêutica no PróVida Laboratório de Análises Clínicas. 
A doença humana causada por Streptococcus agalactiae ou Streptococcus do grupo B (SGB) foi identificada na década de 30, sendo conhecida desde então sua possibilidade de colonizar as gestantes sem causar doença. Com o passar do tempo o microrganismo vem ganhando importância em diferentes populações, como agente causador de infecção bacteriana perinatal. Sendo assim, sua maior relevância médica está associada principalmente aos casos de gestantes colonizadas (mulheres que estejam contaminadas com a bactéria), que podem vir a contaminar seus filhos no momento do parto e provocar quadros graves de septicemia e meningite nos neonatos, além da ocorrência de partos prematuros ou nascimento de crianças com baixo peso corporal. 
Muitos recém-nascidos, particularmente prematuros, nascidos de mãe colonizadas pelo Streptococcus do Grupo B e talvez infectados ainda no útero, podem estar criticamente doentes ao nascer, tendo um baixo prognóstico e uma mortalidade de 15% a 20%. 
Na gestante pode causar quadros clínicos leves de infecção, vaginal e urinária ou até mesmo infecções graves como celulite e fascite. Pode causar também endometrite puerperal, amnionite e infecções de feridas. 
A infecção na criança apresenta-se sob duas formas: precoce e tardia. A forma precoce é mais frequente (80%) e ocorre nos primeiros sete dias de vida, sendo a transmissão por via ascendente antes do parto ou durante a passagem pelo canal de parto. Esta forma evolui como septicemia, pneumonia e meningite. Os sintomas surgem na maioria das vezes logo após o nascimento, causando um desconforto respiratório de 35% a 55% dos pacientes. A sepse está presente em torno de 25% a 40% dos casos em evolução para choque séptico em torno de 24 horas de vida. A meningite pode ocorrer de 5% a 15% dos recém-nascidos e a evolução para óbito ocorre geralmente no segundo dia de vida. A forma tardia afeta recém-nascidos de sete dias até doze semanas de idade, sendo que a sua transmissão pode ser vertical, horizontal ou nosocomial. A manifestação clínica mais comum é a meningite (30% a 40%), a septicemia (40%), a artrite séptica (5% a 10%) e raramente a onfalite e osteomielite.
Para prevenir a infecção do recém-nascido, recomenda-se fazer tratamento medicamentoso da gestante que estiver colonizada pelo Streptococcus agalactiae ou que possuir fatores de risco para a contaminação; porém vários estudos têm mostrado que a detecção no trato genital/anal no período final da gestação (entre a 35º e 37º semana) é a conduta mais efetiva para prevenir doenças do que os procedimentos baseados apenas nos fatores de risco, evitando assim possíveis complicações para a criança e custo para a maternidade. A escolha desse período para investigação é justificada pelo fato de que gestantes que não estavam colonizadas no meio da gestação, podem apresentar cultura positiva no final da mesma e vice-versa; mulheres colonizadas e tratadas no início ou meio da gestação podem se recolonizar no final da gravidez. 
A coleta é realizada em dois locais, terço inferior do trato genital (intróito vaginal) e região anal (dentro do esfíncter anal) utilizando-se um swab estéril que será posteriormente colocado em meio específico da identificação da presença do microrganismo. 
A penicilina é a droga de primeira escolha, enquanto a ampicilina é uma alternativa e, em casos de história de alergia à penicilina e com risco de anafilaxia, clindamicina e eritromicina são recomendados. Caso a capa seja resistente a estes dois antimicrobianos, administrar vancomicina.
A detecção do Streptococcus agalactiae, tem se mostrado eficiente, porém com algumas limitações. A indisponibilidade do exame em alguns laboratórios ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS), a pouca solicitação do método pelos médicos e o grande número de gestantes que não realizam o pré-natal adequadamente facilitam a ocorrência do quadro clínico. 

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